Sempre gostei de literatura, quando era pequenina ansiava pela hora de dormir porque sabia que a mamã me vinha ler à cama. O gosto literário foi mudando, passando pela Anita, que me acompanhou a ir para a escola, passear e quando estava doente.
Apesar de ter sempre uma veia poética, a minha pulsação aumentava sempre que me liam Sophia de Mello Breyner. "a fada oriana", " a floresta ", " A menina do mar" e " o cavaleiro da dinamarca" sempre me sensibilizaram ao longo da minha infância. Lembro-me de ficar admirada com as descrições minuciosas sobre as cores, os cheiros e tudo o que é particular.
Isto tudo para dizer que hoje o dia foi passado junto da casa que deu lugar a toda arte que foi produzida por Andresen.
" As fadas só se mostram às crianças, aos animais, às àrvores e às flores. "
Falando no poema "Quando":
Quando o meu corpo apodrecer e eu for morta
Continuará o jardim, o céu e o mar,
E como hoje igualmente hão-de bailar
As quatro estações à minha porta.
Outros em Abril passarão no pomar
Em que eu tantas vezes passei,
Haverá longos poentes sobre o mar,
Outros amarão as coisas que eu amei.
Será o mesmo brilho a mesma festa,
Será o mesmo jardim à minha porta.
E os cabelos doirados da floresta,
Como se eu não estivesse morta.
Dia do Mar, Shophia de Mello Breyner Andresen
Não consigo deixar de ficar sensibilizada por saber que o dito foi feito.